Acesso bloqueado às margens da Santos Dumont gera protesto de moradores
Trecho era usado por quem não pagava pedágio. Bloqueio foi feito a pedido de moradores de loteamento
18/01/2012 - 12:39
Moradores de Indaiatuba foram surpreendidos com uma barreira em um acesso a um loteamento no bairro Helvétia, em Indaiatuba, na altura do km 60,2 da Rodovia Santos Dumont, e tiveram que aumentar em cerca de 10 quilômetros o trajeto até o centro da cidade. No trecho existe uma cabine de pedágio, onde os veículos com placas de Indaiatuba são isentos do pagamento da tarifa, e podiam, até terça-feira (17), cruzar um loteamento e retornar à rodovia, depois da praça de pedágio no km 60,8. Com a instalação de um guard-rail em frente à portaria do loteamento, os motoristas têm duas alternativas: usar outros bairros na região dos campos de pólo como rota de desvio até o centro da cidade, que pode aumentar em 10 quilômetros o percurso dos moradores, ou pagar a tarifa de pedágio de R$ 10,10 no sentido Indaiatuba. Mesmo quem vive no loteamento precisa fazer um retorno para chegar em casa.
De acordo com mensagens enviadas para o EPTV.com, a Rodovia das Colinas, concessionária responsável pela Rodovia Santos Dumont e pelas cabines de pedágio, não colocou funcionários para orientar os motoristas sobre as novas rotas. "Quem fez isso foram os porteiros do próprio loteamento", contou a analista de recursos humanos Carla Rosado, que trabalha em uma companhia aérea no Aeroporto Internacional de Viracopos.
Alguns reflexos do bloqueio já foram notados pelos motoristas que circulam pela região central de Indaituba. A Avenida Conceição, uma das principais vias da cidade, recebeu a maior parte do fluxo dos carros que não retornaram à Rodovia Santos Dumont e houve congestionamento. Além disso, muitos moradores que trabalham em Campinas estão percorrendo distâncias de mais de 10 quilômetros para poder retornar para casa. Este é o caso da analista de RH Carla Rosado, que vive no Jardim Tropical, e de outros cem funcionários que trabalham com ela em Viracopos.
O caso da professora Michele Danziger, moradora do bairro Itaicí, é ainda mais grave. Ela precisa ir para Campinas várias vezes por semana para levar a mãe até o Hospital de Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) para acompanhamento e tratamento médico. Com a mudança, ela demora entre 10 e 15 minutos a mais para chegar em casa. "O desvio que preciso fazer é muito longo, e isso atrapalha bastante", explicou a professora, que ficou sabendo do bloqueio na terça-feira quando retornava do hospital com a mãe.
O vendedor Fábio Luiz Ambrizzi Ramos também utiliza a praça de pedágio no acesso ao bairro Helvétia várias vezes na semana e está gastando mais tempo para fazer o deslocamento entre Campinas e Indaiatuba (no mapa abaixo é possível ver o trajeto percorrido antes (entre os pontos A e B) e depois (entre os pontos A e C).

A assessoria de imprensa da Rodovia da Colinas informou que o bloqueio foi feito por determinação da Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo). Em nota, a agência informou que o acesso ao km 60,2 da Santos Dumont alcançava "única e exclusivamente a portaria dos fundos do loteamento Helvetia Polo". Em setembro de 2011, representantes do loteamento protocolaram na Artesp o pedido para fechamento do acesso alegando que as avenidas utilizadas para o acesso "não oferecem condições de segurança uma vez que não foram dimensionadas para receber o volume de tráfego de passagem. Por esse mesmo motivo, os moradores alegam que o referido tráfego vem causando transtornos aos moradores seja pela deterioração das ruas ou pela vulnerabilidade a que o aumento da circulação de veículos resulta". Ainda segundo a Artesp, o acesso, localizado em rodovia estadual, era irregular, "pois não é e nunca foi formalmente autorizado pelo Governo do Estado de São Paulo. Sendo assim, após análise das áreas técnicas, a Artesp autorizou o fechamento do acesso que foi efetivado hoje (terça-feira)".
Na área em frente ao referido acesso, no km 62,2, será construído novo posto da Polícia Militar Rodoviária, cuja base operacional será transferida da localização atual para o ponto em frente ao acesso fechado, a pedido do Comando da Polícia Rodoviária.

Fotos cedidas por Eduardo Turati/Tribuna de Indaiá
Protesto
Moradores que se sentiram prejudicados com o bloqueio se mobilizam nas redes sociais. Em um evento criado no Facebook, eles pedem ajuda de vereadores e o envolvimento de outros moradores para tentar suspender a determinação da Artesp.
Um protesto também foi marcado pelo Facebook para o dia 29 de janeiro, às 10h, no local do bloqueio.
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